O ano dos fundos de inflação

07/01/2013

Num ano em que muitos fun-dos de ações descolaram do Ín-dice Bovespa com retornos ex-traordinários e os multimerca-dos também conseguiram supe-rar o Certificado de Depósito In-terfinanceiro (CDI), depois de perder por dois anos para o refe-rencial, a renda fixa foi quem roubou a cena. Mesmo com a ca-tegoria de ações “small caps” al-cançando ganhos médios de 20,56% — bem acima dos 7,4% do Ibovespa — , o ano de 2012 foi mesmo dos renda fixa índi-ces. De carona nos cortes suces-sivos dos juros, os fundos de in-flação marcaram imbatíveis 21,71%, a maior rentabilidade entre as categorias apuradas pe-la Associação Brasileira das Enti-dades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Muito além dos 8,4% do CDI, referência para aplicações conservadoras.

Os cortes nos juros, um total de 3,75 pontos percentuais ao longo do ano passado, trouxeram opor-tunidades de ganhos aos renda fi-xa índices. A cada perspectiva de uma nova redução da taxa básica, as NTN-Bs carregadas por essas carteiras ganhavam valor. Além de um componente prefixado, definido em tempos de juros mais fartos, esses títulos públicos pagam a variação da inflação.

Enquanto ainda garantiam re-tornos extraordinários dentro da renda fixa, os portfólios de inflação já sinalizavam como deve ser o novo mundo de juros de um dígito. Nele, ganhos altos trazem consigo mais risco. Essas carteiras balançaram ao sabor das expectativas para a Selic. O auge foi em março, quando ren-deram em média 5,03%. Em ju-nho, marcaram retorno negati-vo, o que parecia um sinal de es-gotamento. Diante da dificulda-de de recuperar o crescimento econômico, entretanto, o gover-no continuou a derrubar a taxa, garantindo ganhos mensais su-periores a 1% na maior parte do segundo semestre.

Não há quem aposte em retor-nos igualmente expressivos para os fundos de inflação em 2013, mas, ainda assim, são muitos os que ainda veem neles uma boa opção para integrar o portfólio.
Seja pela possibilidade de um corte adicional dos juros, seja pa-ra se proteger contra a alta dos preços. Os ganhos não serão mais da mesma ordem, diz Joaquim Levy, diretor-superintendente da Bradesco Asset Management (Bram). “Até pode ser que a taxa de juros caia mais um pouqui-nho, mas não outros cinco pon-tos”, afirma. Foram ao todo 5,5 pontos de agosto de 2011 até o mesmo mês de 2012. “Mas como a inflação ainda é um animalzi-nho irrequieto, essa pode ser uma proteção”, completa.

A Bram estuda criar neste ano um fundo de renda fixa índices com títulos de vencimento mais curto. Neste caso, Levy diz que a ideia não é tanto ganhar com o componente prefixado, mas sim garantir a variação da inflação. Seria uma opção, explica, para quem busca períodos mais cur-tos de aplicação, inferiores a três anos. “Seria um fundo de caixa, já que DI é coisa do passado.” Outra alternativa que deve crescer na renda fixa, afirma Levy, é a de car-teiras com crédito privado.

Esse também é um plano da Santander Asset Management. Luciane Ribeiro, diretora executiva da gestora, afirma que enquanto isso, a opção é continuar apostando parte dos recursos em produtos atrelados à inflação, como os fundos imobiliários e, inclusive, os renda fixa índices. “Naturalmente, o retorno que vimos em 2012 não deve se repetir. Mas há títulos privados e públicos que podem beneficiar a alta dessa categoria. O resultado vai depender, principalmente, do trabalho e da eficiência do gestor”, diz Luciane.

Também para Paulo Bitten-court, diretor técnico da Apogeo Investimentos, os fundos de in-flação ainda devem marcar pre-sença na carteira. “Os retornos de 2012 foram um tanto quanto excepcionais, mas podem existir oportunidades ao longo de 2013 e, como a inflação não é al-go que se controla por decreto ou comitê, eu manteria uma po-sição para se alguma coisa esca-par do controle.” Com juros mais baixos, os fundos DI, afir-ma Bittencourt, devem ser vistos como destino apenas para re-cursos de emergência. Em 2012, eles renderam em média 8,62%.

A decisão de aumentar a par-ticipação do crédito privado na parcela do patrimônio alocada em renda fixa deve ser cautelosa, diz Sandra Blanco, consultora da boutique de investimentos Óra-ma. “É isso que vai acrescentar rentabilidade aos renda fixas tradicionais, mas é preciso esco-lher com muito cuidado, conhe-cendo os títulos que estão den-tro da carteira”, afirma.

Não foram só os fundos de renda fixa que pegaram carona na queda dos juros. Os multimercados também se armaram de NTNBs e, com a ajuda delas, quebraram o período desafiador que se sucedeu à crise de 2008. Os multimercados macro, que apostam em uma tendência para os ativos, renderam 18,14% em 2012. Fica a dúvida se conseguirão, neste ano, sustentar o desempenho.

“Os multimercados terão que depender menos da taxa de ju-ros”, diz Levy, da Bram. Ele afirma que já diversificou em 2012, com aplicações em moedas diferentes do dólar e do euro e também em estratégias com commodities.

Também na GAP as operações cambiais, neste caso com o dó-lar, apoiaram o retorno dos mul-timercados no segundo semes-tre de 2012. Do outro lado do balcão, os clientes respondem aos esforços, destaca José Eduar-do Louzada, sócio da gestora. “O cliente vem demandando um pouco mais produtos com uma sofisticação maior, de risco mais elevado, em função do novo ce-nário de juros”, afirma.

Na renda variável, os setoriais, muitos do segmento de energia, derraparam e ficaram praticamen-te no zero a zero. Já os fundos de di-videndos, que se destacaram mui-to no primeiro semestre, consegui-ram chegar ao fim com um retor-no médio razoável, de 15,96%, mas abaixo de outras categorias que puderam fazer apostas mais livres.


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