Fevereiro difícil para a maioria das carteiras

21 de fevereiro de 2013

Por Luciana Seabra, de São Paulo

A primeira quinzena de fevereiro não teve nada de festiva para os fundos de investimento. Enquanto os juros viravam rapidamente de tendência, a bolsa despencava 3,11% e o dólar caía 1,42%, deixando os gestores que queriam ir às compras sem muitas opções. O resultado, na ressaca do Carnaval, foi um retrato nada animador. Das 21 categorias apuradas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 12 têm retorno negativo no mês até o dia 15. Somente três ganham do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) em fevereiro. Com alta de 0,24%, este indicador só foi superado por fundos DI e pelos “long and short”, carteiras que podem ficar ao mesmo tempo “compradas” em alguns ativos e “vendidas” em outros. No acumulado do ano, apenas seis categorias de fundos batem o CDI.

Os maiores mergulhos ocorreram dos fundos de ações. Na linha de frente estão os setoriais. É deles a maior queda no mês, de 4,3%, e também no ano, de 8,11%. Derrubando o desempenho estão as carteiras que investem em uma única empresa, Petrobras. Somente em fevereiro até o dia 15 as ações ordinárias da petrolífera (ON, com direito a voto) caíram 13,9%. Os únicos portfólios de ações com retorno positivo no mês são os small caps, que aplicam em papéis menos líquidos. Em geral são empresas voltadas para o mercado doméstico.
Na renda fixa, o pior desempenho é dos fundos indexados à inflação. Essas carteiras, que marcaram o maior retorno dentre fundos no ano passado, perderam 1,01% na primeira quinzena. A aposta do ano passado, de queda dos juros, virou tão rapidamente para alta nos últimos dias, depois de uma curta passagem pela estabilidade, que foi difícil acompanhar.

Uma das grandes culpadas pelo estrago nos fundos foi a NTN-B. O título público, que paga uma taxa prefixada mais a variação da inflação, está nas carteiras chamadas renda fixa índices, mas também predominou em 2012 nos multimercados. Esses papéis ganharam valor enquanto os juros caíam e a expectativa era de baixa ainda maior. Para se ter uma ideia, a NTN-B principal (que não paga juros semestrais) com vencimento em 2035 valorizou-se em 40,76% nos últimos 12 meses. Já nos últimos 30 dias, até 20 de fevereiro, perdeu 7,53%. E não foi só ela. De uma lista de 12 NTN-Bs vendidas para pessoas físicas pelo sistema Tesouro Direto, apenas uma, com vencimento em maio deste ano, ganhou valor no período.

A virada das expectativas para os juros começou com a divulgação da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), em 24 de janeiro. O mercado entendeu que o governo estava mais preocupado com a inflação. Desde então, o discurso começou a mudar, mais favorável a uma alta dos juros. Na última terça, o próprio presidente do BC, Alexandre Tombini, deu os sinais de que pode usar os juros para conter o dragão. E assim o valor das NTN-Bs derreteu rapidamente.

Sem o apoio dos juros, estratégia vencedora em 2012, mas ainda sem um grande impulso da bolsa, os multimercados também vacilam. Depois de render, na média, 18,14% em 2012, os do tipo macro, que apostam em uma tendência para os ativos, ganham apenas 0,27% neste ano, menos do que os 0,83% do CDI. Somente em fevereiro, até o dia 15, essas carteiras perdem 0,31%.

Alguns multimercados já tinham deixado de lado a estratégia com juros. Com base na aposta de que a Selic vai voltar a subir em breve, maio ou julho, os multimercados da Bradesco Asset Management (Bram) chegaram a ficar sem NTN-Bs neste começo de ano, segundo Reinaldo Le Grazie, diretor de renda fixa e multimercados da gestora. Com a desvalorização recente, segundo ele, a taxa voltou a ficar atraente. “Aparentemente, alguns papéis mais longos já oferecem prêmio, mas têm de tudo para balançar bastante ainda”, afirmou o gestor. Sem o apoio dos juros, a casa tem usado mais estratégias no mercado de moedas.

Também a GAP já vinha reduzindo desde o terceiro trimestre do ano passado a posição em juros, segundo José Eduardo Louzada, sócio da gestora. O difícil é encontrar outra tendência tão clara como foi a da queda da Selic. “Não tem uma clareza de cenário como foi no primeiro semestre do ano passado. O que temos visto agora são alguns movimentos pequenos, com poucas oportunidades aparecendo”, afirma Louzada.

O câmbio também foi uma fonte de ganhos para a GAP nos últimos meses. Agora, entretanto, o gestor prefere esperar uma definição. “O dólar deve voltar a operar dentro de uma banda, que não sabemos ainda qual é”, diz. A valorização do real, que passou a ser utilizada como instrumento de controle da inflação, trouxe aos fundos cambiais o segundo pior retorno do ano, uma queda de 3,76%.

Assim como o gestor do Bradesco, Louzada acredita que a reviravolta recente no mercado de juros pode trazer algumas fontes de ganhos. “Não fizemos nada ainda, mas estamos de olho. Pode ser, sim, uma oportunidade para se posicionar”, afirma o gestor.
Em meio à falta de tendências, é a arbitragem que tem se destacado. Os fundos long and short direcionais — que apostam na queda ou alta da bolsa por meio de posições compradas e vendidas — são o destaque do ano, com ganho de 1,95% até 15 de fevereiro. No mês, o maior retorno, ainda que tímido em 0,50%, é dos long and short neutros, que arbitram papéis sem definir uma tendência para o mercado.
Nos long and shorts, a estratégia de maior retorno na GAP foi confrontar ações de duas empresas do mesmo setor, principalmente nos segmentos de telefonia, bancos, elétricas e mineração. Passado o período de grandes intervenções setoriais do governo, segundo Louzada, a correlação entre os papéis voltou a obedecer o padrão histórico. “Uma combinação de fatores, como cenários interno e externo mais tranquilos, tem deixado o mercado andar mais solto. Aí o fundamento volta a imperar”, afirma o gestor.

Valor Econômico

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